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Donald Trump recua e deixa cair ordem executiva para regular a inteligência artificial após influência de Musk e Zuckerberg

Homem de terno azul e gravata vermelha assinando documento em mesa com óculos VR e celular.

A poucos instantes de colocar a assinatura em uma ordem executiva que passaria a regular modelos avançados de inteligência artificial (IA) - que vêm sendo lançados em ritmo acelerado - Donald Trump voltou atrás e decidiu interromper a iniciativa de regulação do setor. Sem apresentar justificativas, dirigentes de grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, alinhados ao presidente, trataram rapidamente de se desvincular do episódio, afirmando que não tiveram qualquer participação na decisão.

Bastidores do recuo de Donald Trump na regulação de inteligência artificial

De acordo com o "The Washington Post", Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, e Mark Zuckerberg, da empresa controladora do Facebook, teriam feito ligações de última hora para evitar que a ordem fosse formalizada. Ambos, porém, negaram ter exercido qualquer tipo de pressão.

Segundo o "Politico", quem teria atuado para convencer Trump a não assinar foi David Sack, ex-conselheiro do presidente para IA e criptomoedas. A argumentação atribuída a Sack é que a regulação do setor acabaria retardando o avanço tecnológico.

Por que os modelos avançados de IA têm preocupado governos e mercados

Se tivesse entrado em vigor, a medida abriria espaço para algum nível de controle sobre um segmento que, recentemente, tem causado apreensão em áreas da política e da economia global. O receio está ligado às capacidades de modelos de IA mais recentes - como o Mythos -, descrito como apto a identificar falhas de segurança e a indicar ao usuário formas de atacar sistemas sensíveis, incluindo serviços bancários ou estruturas do governo.

O que a ordem executiva previa (90 dias) e o vácuo deixado na administração

Entre os pontos previstos no texto estava a possibilidade de o Estado ter acesso antecipado a novos sistemas por 90 dias, a fim de analisá-los. Conforme relataram alguns veículos norte-americanos, empresas de tecnologia teriam solicitado a redução desse prazo para 14 dias.

Com o fracasso da iniciativa, a administração fica sem um plano para administrar os riscos associados a sistemas de IA. Uma lei de Biden de 2023 - revogada por Trump - determinava que empresas de IA compartilhassem com o governo os resultados de testes de segurança.

Na União Europeia, regras vinculantes desde 2024 para IA de alto risco

Na União Europeia, a legislação de 2024 definiu regras obrigatórias para sistemas de IA considerados de alto risco. O texto inclui exigências de transparência e, no caso dos modelos mais potentes, obrigações relacionadas a testes de segurança e à notificação de incidentes.

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