Pular para o conteúdo

Plano ambicioso da Blue Origin com o Project Sunrise coloca a NASA em alerta sobre centros de dados na órbita

Homem com fone de ouvido monitora tráfego espacial com modelo de foguete e Estação Espacial em escritório futurista.

Plano da Blue Origin para levar data centers à órbita acende alerta na NASA

A NASA entrou oficialmente no processo de licenciamento de um novo projeto de grande escala da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos. A iniciativa, chamada Project Sunrise, propõe colocar em operação uma constelação de 51 600 satélites em órbitas heliossíncronas entre 500 e 1800 km de altitude. A proposta é transferir para o espaço parte da capacidade de centros de dados - algo que, segundo a Blue Origin, poderia reduzir drasticamente os custos operacionais de computação.

Para a NASA, porém, a versão atual do plano não demonstra o rigor técnico necessário e impõe riscos considerados inaceitáveis à sustentabilidade do ambiente espacial. Por isso, a agência apresentou um protesto formal à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC), detalhando suas preocupações.

Riscos para voos tripulados, ciência e crescimento do lixo espacial

No documento enviado ao regulador, a NASA enfatizou que as altitudes pretendidas (até 1800 km) cruzam diretamente corredores críticos associados a missões espaciais tripuladas e também trajetórias relacionadas a infraestruturas científicas nacionais. Um dos pontos que mais preocupam é a falta, no pedido da Blue Origin, de procedimentos claros para retirar os satélites de serviço ao fim da vida útil.

Na avaliação da agência, essa lacuna pode resultar num aumento catastrófico do volume de detritos em órbita. Como referência, a SpaceX, de Elon Musk, após pressão internacional, já se comprometeu a reduzir a altitude de mais de 9300 satélites Starlink para abaixo de 500 km, buscando diminuir riscos desse tipo.

Dúvidas sobre o mercado de lançamentos e a disputa com SpaceX e Amazon

Além das questões de segurança, a NASA apontou o que chamou de “expectativas infundadas” da empresa em relação à capacidade do mercado de lançamentos e também destacou ambiguidades sobre a densidade de ocupação planejada para a frota.

O contexto chama atenção porque outra empresa de Bezos, a Amazon, por meio de sua divisão Amazon Leo, já havia criticado anteriormente os planos da SpaceX de lançar um milhão de satélites Starcloud, classificando-os como “especulativos” e “inviáveis”. Agora, a Blue Origin se vê numa situação semelhante, sob críticas não apenas de concorrentes, mas também do principal órgão espacial do país.

Em disputas anteriores, a SpaceX chegou a dizer publicamente que os argumentos da equipa de Bezos eram “ingênuos” e “simplificados”, o que evidencia o nível de tensão na competição entre as gigantes de tecnologia.

O que pode acontecer na FCC e o ponto positivo destacado pela NASA

Apesar do tom firme, a NASA também reconheceu um aspecto favorável: diferentemente das fases iniciais do Starlink, a Blue Origin já incluiu desde o começo medidas para reduzir impactos negativos sobre observações astronómicas. A agência indicou disposição para uma cooperação técnica próxima com a empresa, a fim de aprimorar o plano.

A decisão, agora, fica com a FCC: o órgão regulador pode rejeitar o pedido do Project Sunrise ou exigir da Blue Origin dados técnicos abrangentes que expliquem como uma quantidade tão grande de satélites será coordenada com os ativos da NASA e como a empresa pretende impedir a degradação das órbitas por detritos.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário