A administração Trump deu início a uma ampla operação militar para enfraquecer a ilha de Kharg, o coração petrolífero do Irã. Trata-se de uma nova e grande escalada, com potencial para transformar o conflito atual em uma crise de alcance mundial.
Atualização: ataques dos EUA na ilha de Kharg
Atualização em 14 de março de 2026 às 12h15: Donald Trump afirmou, na noite de sexta-feira, 13 de março, que os Estados Unidos (CENTCOM) teriam “destruído completamente” alvos militares na ilha de Kharg, vista como o hub petrolífero do Irã. Segundo as informações, os ataques não teriam mirado as infraestruturas de petróleo - que são majoritárias nessa pequena ilha ultrassensível no meio do golfo Pérsico. Ainda de acordo com o relato, a ação teria sido “um dos ataques aéreos mais poderosos da história no Oriente Médio”, com cerca de quinze explosões registradas.
O Irã reagiu com fúria e anunciou danos significativos na base de Joshan. Caso as infraestruturas de petróleo sejam atingidas, os iranianos declararam que atacariam todos os sites petrolíferos da região - incluindo, portanto, instalações no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.
A relevância de Kharg para o Irã se explica por um dado central: 90% das exportações de petróleo bruto do país passam pela ilha, o que equivaleria a 7 milhões de barris por dia e cerca de US$ 50 bilhões em receitas (estimativas da Reuters). Já em 1984, a CIA indicava que as exportações da ilha eram vitais, com oleodutos gigantes conectando Kharg ao continente, aproximadamente dez pontos de atracação e estruturas de armazenamento. Donald Trump pretende transformar a ilha de Kharg em um novo instrumento de negociação, em meio à paralisação do estreito de Ormuz e às consequências disso para o transporte de petróleo, gás e para o comércio internacional.
A situação marca um ponto de virada no conflito que já dura há mais de uma semana no Oriente Médio? Conforme informações reunidas pelo veículo Axios, a administração Trump agora estaria considerando tomar a ilha de Kharg. No golfo Pérsico, a cerca de 25 quilômetros da costa iraniana, esse território pouco conhecido é um eixo central da economia do país.
Histórico: Kharg no radar de Washington desde 1979
Não é a primeira vez que essa área entra na mira de Washington. Em 1979, durante a crise dos reféns, os Estados Unidos já esboçavam planos para assumir o controle da ilha. Convertida em uma verdadeira fortaleza, Kharg resistiu depois aos bombardeios repetidos da guerra entre Irã e Iraque, de 1980 a 1988, sem interromper as exportações de petróleo. Agora, ela volta a aparecer como um objetivo prioritário dentro da estratégia de demonstração de força dos EUA.
Um levier para asfixiar o Irã e fazer pressão sobre a China
Há um motivo claro para isso: a ilha de Kharg abriga o terminal petrolífero por onde transita 90% das exportações de bruto iraniano. Para Donald Trump, controlar a ilha significaria cortar diretamente o principal pulmão financeiro do regime de Teerã, deixando-o economicamente estrangulado e, assim, menos capaz de sustentar o esforço de guerra ou o programa nuclear.
Mas o cálculo não se limita ao Irã. Ao assumir Kharg, os Estados Unidos também miram, de forma indireta, outro gigante: a China. Pequim é hoje a maior beneficiária do petróleo iraniano, comprado em grandes volumes apesar das sanções internacionais. Privar a segunda maior potência do planeta dessa fonte de energia é, para Washington, uma maneira de reafirmar a própria hegemonia - com o custo potencial de irritar seriamente o “Império do Meio”…
Pânico nas bolsas a caminho?
A estratégia, porém, carrega um risco enorme para a economia global, já que tenderia a fazer disparar o preço do barril, que já está em níveis superaquecidos. Em um mercado pressionado pela guerra, analistas temem pânico nas bolsas e uma alta histórica dos preços nos postos para consumidores ocidentais.
Além disso, a ilha de Kharg é uma “linha vermelha” absoluta para o Irã. O regime já avisou que qualquer tentativa de ocupação levaria a uma retaliação total, o que poderia incluir o bloqueio do estreito de Ormuz. Nesse braço de ferro, a administração norte-americana aposta em uma jogada de altíssimo risco, na qual cada passo pode empurrar o mundo para o desconhecido.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário