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Comissão Europeia confirma tarifas de até 35,3% sobre carros elétricos da China

Carro elétrico branco estacionado em showroom moderno com poste de carregamento ao lado.

A Comissão Europeia confirmou que vai aplicar tarifas de até 35,3% sobre carros elétricos fabricados na China - valores que se somam aos 10% que já estavam em vigor. A medida parte da alegação de concorrência desleal: Bruxelas sustenta que Pequim subsidia a indústria local e, com isso, reduz artificialmente os preços dos veículos elétricos produzidos no país.

Acusações de concorrência desleal e a reação do Governo chinês

A resposta de Pequim veio por meio de um comunicado do Ministério do Comércio chinês, no qual afirma “que não concorda nem aceita a decisão”. No mesmo texto, reforça que “a China vai continuar a tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das suas empresas”.

Apesar de a Comissão Europeia ter avançado com a execução das tarifas, as conversas com a China continuam em busca de uma alternativa. “A UE e a China continuam a trabalhar arduamente para encontrar uma solução alternativa e mutuamente aceitável”, disse o porta-voz da Comissão, Olof Gill.

Nos últimos meses, as tentativas de entendimento se sucederam, mas o processo tem sido travado por impasses, com Bruxelas rejeitando todas as propostas apresentadas.

“Atualmente, as equipas técnicas de ambos os lados estão juntas numa nova «rodada» de negociações. Esperamos encontrar uma solução mutuamente aceitável o mais rapidamente possível e evitar um agravamento dos conflitos comerciais.”
- Ministério do Comércio chinês

Quando entram em vigor?

A previsão é que as tarifas passem a valer a partir de hoje, 30 de outubro, e permaneçam em vigor pelos próximos cinco anos. Como resumiu o porta-voz da instituição: “A Comissão Europeia adotou hoje direitos de compensação definitivos sobre as importações de veículos elétricos a bateria provenientes da China por um período de cinco anos”.

Como ficam as tarifas por fabricante na UE

Os percentuais não serão uniformes entre as montadoras. A regra definida é que as empresas que não colaboraram com a investigação da UE receberão a taxa máxima, enquanto as que cooperaram terão alíquotas menores. Esses novos valores ainda se somam aos 10% atualmente em vigor:

A UE, porém, não é a primeira a adotar barreiras do tipo sobre elétricos produzidos na China: tanto os EUA quanto o Canadá já anunciaram tarifas de 100%.

Um caminho sinuoso

Mesmo com o avanço da Comissão Europeia, a decisão ficou longe de ser consenso. Entre os 27 Estados-Membros, cinco votaram contra, 10 votaram a favor e 12 se abstiveram (incluindo Portugal).

O temor de retaliação comercial por parte do gigante asiático - que já havia sinalizado uma resposta proporcional caso as tarifas avançassem - explica parte importante do alto número de abstenções. O resultado também evidencia a incerteza sobre qual seria a melhor estratégia para lidar com esse tipo de disputa comercial.

Como reação à aprovação das tarifas de importação sobre carros elétricos vindos da China, o governo chinês anunciou tarifas anti-dumping temporárias sobre importações de conhaque da UE, atingindo marcas francesas como Hennessy e Rémy Martin.

Ainda assim, isso é visto apenas como a «ponta do icebergue». A China pode ir além e, diante do aumento das tarifas europeias sobre os elétricos que produz, impor custos adicionais às exportações da UE - inclusive no setor alimentício, que teme elevação das taxas aduaneiras sobre seus produtos.


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