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Preço do gás na França sobe 15,4% em 1º de maio, segundo a CRE

Mulher com expressão preocupada lendo conta na cozinha, com café e croissants na mesa.

A expectativa de trégua nos mercados de energia com o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã não se traduziu em alívio para os consumidores franceses - pelo contrário. A partir de 1º de maio, o gás vai ficar mais caro em mais de 15%. Veja o que está por trás dessa alta.

A Comissão de Regulação de Energia (CRE) definiu o novo patamar: o preço de referência do gás passa a 160,54 euros por megawatt-hora (MWh) a partir de 1º de maio, o que representa uma alta de 15,4%. Na prática, isso equivale a um aumento médio de 6,19 euros por mês na conta. O movimento, no entanto, já vinha sendo sinalizado: a presidente da CRE, Emmanuelle Wargon, havia mencionado um salto de 15% ainda em 20 de março.

Quem sente o aumento do preço de referência do gás

Esse reajuste não atinge todos os clientes. A alta vale apenas para os 7,5 milhões de lares que contrataram uma oferta indexada ao preço de referência - indicador que substituiu a antiga tarifa regulada, encerrada em meados de 2023.

Quem escolheu um contrato com preço fixo não verá a conta subir agora… pelo menos por enquanto.

Por que o preço do gás aumenta?

A explicação é direta: a guerra envolvendo o Irã. A escalada no Oriente Médio provocou um pico temporário que chegou a dobrar os preços do gás nos mercados, elevando o componente de “abastecimento” na composição da conta.

Como a CRE chega ao preço de referência

O método de cálculo da CRE se apoia em 80% nos preços de mercado observados entre 1º e 31 de março - e março foi particularmente turbulento. A combinação do fechamento do Estreito de Ormuz (por onde passa 20% do gás natural liquefeito mundial) com o bombardeio de infraestruturas energéticas no Qatar fez as cotações dispararem desde o fim de fevereiro.

Há, porém, um fator que suaviza o impacto imediato: o reajuste entra em vigor na primavera, quando a demanda por aquecimento cai. Com consumo menor, o efeito real na fatura tende a ser parcialmente amortecido.

O problema é o que vem depois. Se a situação no Oriente Médio não se estabilizar até o outono, a conta pode voltar a acelerar junto com a necessidade de aquecer as casas. Como o preço de referência do gás muda todo mês, se o estresse geopolítico continuar, não há garantia de que maio será o pior momento para as famílias. Para quem ainda não travou um preço fixo, pode ser o caso de considerar essa alternativa.

O que achamos

Há algo quase contraditório no calendário desse anúncio. No mesmo dia em que a CRE oficializa uma alta de 15,4%, Donald Trump decreta um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Os mercados reagem bem à trégua, o Brent recua e as cotações do gás caem 20%. Ainda assim, a conta de maio permanece elevada.

Esse é o paradoxo do mecanismo da CRE: o sistema, pensado para amortecer choques, acaba empurrando o efeito no tempo. Assim, em maio o consumidor paga as consequências de um março caótico, mesmo com sinais de possível distensão mais à frente.

Fica, então, a pergunta incômoda: o que foi aprendido desde 2022? Naquele momento, a Europa sentia os efeitos da guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia. Agora, a tensão envolve Irã e Estados Unidos. O enredo mudou, mas a fragilidade continua a mesma.

A França trocou a dependência do gás russo por uma dependência do GNL do Qatar - justamente aquele cuja planta de liquefação foi bombardeada em Ras Laffan em 18 de março. Ou seja, mudou-se o fornecedor, não a lógica. E, enquanto 95% do gás consumido na França seguir sendo importado, toda grande crise geopolítica tende a virar choque tarifário para os lares.

O aspecto mais preocupante nem é a alta de maio, já que a primavera reduz o impacto. O ponto é manter atenção depois do verão. Se o cessar-fogo não se sustentar, se o Estreito de Ormuz continuar sendo um gargalo sob controle iraniano e se a capacidade de Ras Laffan não for recuperada (especialistas falam em três a cinco anos de reparos), então os 6,19 euros de maio serão apenas o começo.

Por fim, o governo anunciou um grande plano de reestruturação do setor de energia. Resta entender quanto tempo essa mudança levará - e se as eleições de 2027 não vão alterar o rumo desses planos.

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