A segunda metade de julho e os primeiros dias de agosto são um ótimo período para sair de casa e dedicar um tempo a observar o céu noturno.
É nessa janela que três das melhores chuvas de meteoros do ano atingem o pico - cada uma com as suas particularidades. No Hemisfério Norte, as temperaturas mais amenas do verão tornam a observação uma atividade especialmente agradável; já no Hemisfério Sul, as noites mais longas aumentam o intervalo em que os meteoros podem ser vistos.
A partir de cerca de 12 de julho, os Alpha Capricornídeos ficam visíveis tanto no céu do norte quanto no do sul, com pico em 29 a 30 de julho. As famosas e queridas Perseidas começam a aparecer por volta de 17 de julho e atingem o máximo em 12 a 13 de agosto, sobretudo no Hemisfério Norte. Por fim, as Delta Aquáridas do Sul têm início em 18 de julho e também culminam em 29 a 30 de julho.
Não é necessário nenhum equipamento especial para acompanhar as três, mas as Delta Aquáridas do Sul tendem a ser mais discretas; por isso, um binóculo pode melhorar a experiência.
Por que acontecem as chuvas de meteoros
Todos os anos, várias chuvas de meteoros cruzam o céu da Terra. Elas acontecem quando o nosso planeta, ao orbitar o Sol, atravessa uma nuvem de detritos deixada para trás por um asteroide ou cometa.
Enquanto esses corpos orbitam o Sol, vão liberando material que permanece no trajeto orbital da Terra, como se ficasse “à espera” do momento certo.
Quando a Terra entra nessa região, fragmentos desse resíduo de cometa ou asteroide colidem com a atmosfera e queimam durante a queda por causa das condições de entrada atmosférica. O resultado é um rastro luminoso - ou, em alguns casos, um bólido - visível a olho nu.
Chuva de meteoros Alpha Capricornídeos (12 de julho; pico em 29–30 de julho)
Os Alpha Capricornídeos vêm de um cometa de curto período chamado 169/NEAT, que completa uma volta ao redor do Sol a cada 4,2 anos. O radiante (o ponto do céu de onde os meteoros parecem sair) fica na constelação de Capricórnio.
Não é uma chuva especialmente intensa: no auge, gera apenas cerca de cinco meteoros por hora. Em compensação, os meteoros que aparecem costumam ser muito brilhantes - a ponto de se destacarem mesmo com o céu iluminado pela poluição luminosa -, o que faz dela uma das chuvas mais procuradas por quem gosta de observar.
Neste ano, o pico dos Alpha Capricornídeos coincide com a Lua em fase crescente fina, com baixa iluminação, o que tende a favorecer a visibilidade. Um bom horário para olhar é à noite, a partir de 22:00 no seu horário local.
Chuva de meteoros Perseidas (por volta de 17 de julho; pico em 12–13 de agosto)
As Perseidas, por outro lado, são prolíficas. Elas se originam do Cometa Swift-Tuttle, um cometa de curto período que orbita o Sol a cada 133 anos, e têm o radiante próximo das constelações de Perseu, Cassiopeia e Girafa.
No pico, é possível esperar 50 a 75 meteoros por hora quando o céu está realmente escuro.
Neste ano, a observação pode ficar mais difícil por causa da Lua gibosa crescente, que aparece no céu no mesmo período. Ainda assim, as Perseidas devem permanecer ativas durante todo o mês de agosto, oferecendo muitas oportunidades de visualização.
O melhor momento para acompanhar é de madrugada, entre a meia-noite e o amanhecer.
Chuva de meteoros Delta Aquáridas do Sul (início em 18 de julho; pico em 29–30 de julho)
As Delta Aquáridas do Sul provavelmente vêm do cometa de curto período 96P/Macholz, que dá uma volta ao redor do Sol a cada 5,27 anos. O radiante está na constelação de Aquário.
Durante a janela de pico, que dura cerca de 48 horas, essa chuva costuma produzir 20 a 25 meteoros por hora. Porém, os meteoros são relativamente fracos e, em geral, não deixam rastros marcantes. Neste ano, o máximo ocorre com a Lua crescente fina, que se põe antes de o radiante ficar alto no céu - um cenário bastante favorável, sobretudo entre a meia-noite e o amanhecer.
E ainda pode haver uma surpresa: em duas ocasiões - 1977 e 2003 - as Delta Aquáridas do Sul foram muito mais intensas do que o normal. Portanto, existe a possibilidade de que elas “caprichem” novamente neste ano.
Dicas para ver bólidos e aproveitar a observação
Para aumentar as chances de encontrar bólidos, uma boa estratégia é baixar um aplicativo de observação do céu, como o Star Walk, e acompanhar quando cada constelação deve surgir no horizonte.
E vale lembrar de levar o que ajuda a ficar confortável: cobertores, lanches e qualquer equipamento que você queira usar para registrar o momento em foto ou vídeo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário