Reconhecimento oficial das peptídeínas (peptideins) em células humanas
Um consórcio com 60 pesquisadores, ligado a mais de 30 institutos ao redor do mundo, relatou na Nature o reconhecimento oficial de uma nova classe de moléculas presente em células humanas. A equipe catalogou 1700 microproteínas que, por décadas, foram ignoradas e não chegaram a entrar em bases genéticas. Para esses compostos - anteriormente descritos como proteínas “não canónicas” ou “escuras” - foi adotado um nome formal: peptídeínas (peptideins), termo formado a partir de “peptídeo” (uma cadeia curta de aminoácidos) e “proteína” (proteína).
Quem liderou o estudo e por que elas ficaram ocultas
A pesquisa foi conduzida pelo doutor Sebastiaan van Heesch, do Centro Princesa Máxima de Oncologia Pediátrica (Países Baixos), em colaboração com especialistas da Universidade de Michigan. O motivo central para as peptídeínas permanecerem “fora do radar” por tanto tempo está no seu tamanho reduzido e na falta de “parentes” evolutivos em outras espécies.
Com frequência, elas são codificadas por trechos de DNA que ficam colados a genes já conhecidos - ou até se sobrepõem a eles. Por causa disso, algoritmos de gerações anteriores acabavam tratando esses sinais como “ruído” ou como um subproduto do funcionamento do maquinário celular.
Um “momento de Plutão” para a genética
Os cientistas comparam o marco a um “momento de Plutão” na astronomia. Assim como a identificação de muitos objetos no Cinturão de Kuiper levou a uma revisão do que se considera um planeta, a descoberta de milhares de peptídeínas altera a compreensão sobre a composição do genoma humano.
Nesse novo cenário, algumas proteínas antes classificadas como completas (canónicas) podem vir a ser reclassificadas como peptídeínas; ao mesmo tempo, determinadas peptídeínas podem, com o avanço das evidências, passar a integrar a lista de proteínas essenciais. Já foi demonstrado que mais de 50 delas são críticas para a sobrevivência celular, e que a ausência dessas moléculas provoca a morte imediata da célula.
Relevância médica e integração em bases de dados
O reconhecimento das peptídeínas também amplia o leque de possibilidades na medicina. Foi observado que essas moléculas participam tanto do desenvolvimento de tumores cerebrais agressivos em crianças quanto do funcionamento do músculo cardíaco.
As informações sobre as 1700 peptídeínas já foram incorporadas aos maiores repositórios internacionais, incluindo GENCODE e UniProt. Com isso, oncologistas e geneticistas no mundo todo poderão incluí-las nos seus estudos, ajudando a encontrar novos alvos para terapias direcionadas - alvos que, até então, simplesmente não eram captados pelos recursos de diagnóstico.
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