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Norfolk, Virgínia – No dia 6 de outubro, na Estação Naval de Norfolk, na Virgínia, e a bordo do porta-aviões de propulsão nuclear USS Harry S. Truman, foi realizada a cerimónia de encerramento do Exercício Multinacional UNITAS LXVI. Representações de todos os países envolvidos compareceram ao evento, que marcou o fim das atividades navais combinadas conduzidas em diferentes pontos ao longo da Costa Leste dos EUA. A solenidade foi conduzida pelo contra-almirante Carlos Sardiello, comandante da Quarta Frota dos EUA.
Encerrado o ato formal, durante uma coletiva de imprensa, o Zona Militar pôde aprofundar o ponto de vista do oficial-general e o peso que o Exercício Multinacional UNITAS tem para as Forças Armadas dos EUA, em termos gerais, e para a Marinha dos EUA, em particular. A seguir, estão trechos da coletiva e perguntas dirigidas ao comandante da Quarta Frota dos EUA.
A celebração desta operação em que o senhor trabalhou por um mês acabou de terminar. Pode contar como foi participar dela?
“Foi um prazer e uma honra participar da 66ª edição da UNITAS, o exercício marítimo multinacional mais antigo em atividade no mundo. Participaram, ao todo, 8,000 marinheiros, 23 nações, 24 navios, 2 submarinos, além de um grande volume de operações marítimas de alto nível e inovações, bem como treinamentos conjuntos entre aliados.”
Por que este exercício é tão importante para a Marinha dos EUA?
“Porque não conseguimos fazer isso sozinhos. Operamos ao lado de aliados e parceiros para garantir a segurança do domínio marítimo - tanto no Hemisfério Ocidental quanto no resto do mundo. Ao compartilhar doutrina, treinamento e confiança, ampliamos nossa capacidade coletiva de responder a crises marítimas no futuro.”
E de que forma isso beneficia as demais nações participantes?
“Essas forças trabalham conosco com regularidade, mas a UNITAS é um esforço combinado em grande escala que reúne todos. Neste ano, a UNITAS 2025, foi especialmente marcante por coincidir com o nosso 80º aniversário e o 250º aniversário das nossas respetivas celebrações institucionais. Ao realizar o exercício aqui, na Costa do Pacífico, podemos demonstrar nossas novas capacidades, tecnologias e a forma como cooperamos com nossos parceiros, ajudando-os também a fortalecer a prontidão diante de ameaças futuras.”
O senhor poderia falar um pouco mais sobre a situação dos países participantes? Muitos enfrentam diferentes tipos de conflitos.
“Em vez de falar sobre nações em conflito, eu diria que são países envolvidos em operações. A natureza dos conflitos está mudando, e estamos aplicando lições de novas tecnologias para desenvolver rapidamente forças que complementem as capacidades marítimas convencionais - integrando sistemas remotos e autónomos.”
Como esses sistemas mudam a forma de operar?
“Não se trata apenas dos sistemas em si, mas dos dados e de como os processamos para acelerar a tomada de decisão. O essencial é permanecer dentro do ciclo de reação do adversário. Por exemplo, durante este exercício, foram empregados 19 sistemas remotos e autónomos - algo que nunca havia sido feito antes em escala global. Incluímos reconhecimento automático de alvos, aprendizado de máquina e inteligência artificial para simplificar as operações e executar cadeias de efeitos autónomas, aumentando a letalidade e reduzindo custos. Muitas tarefas rotineiras agora podem ser realizadas por sistemas autónomos, permitindo que a gente se mantenha um passo à frente.”
Qual foi o seu papel este ano? O senhor já havia participado da UNITAS antes?
“Sim, esta é a minha segunda participação. Antes da UNITAS 2025, eu estive envolvido em exercícios multidimensionais no Pacífico, no Oriente Médio, na Europa e com a OTAN. Ver essa experiência agora reproduzida na América Latina, ao lado de parceiros do mundo todo, mostra que o mundo está ficando menor e que as alianças são mais importantes do que nunca. Sou muito grato por esta oportunidade.”
Como o senhor definiria, em poucas palavras, a importância do Exercício Multinacional UNITAS?
“UNITAS é importante porque enfrentamos ameaças comuns, e somente trabalhando juntos podemos melhorar a segurança de nossos países e de nossas populações - hoje e no futuro.”
A Força Marítima de Autodefesa do Japão poderia servir como um exemplo desse tipo de parceria na região do Pacífico?
“Com certeza. A Força Marítima de Autodefesa do Japão tem sido uma parceira confiável na região da Ásia-Pacífico, e valorizamos sua colaboração e participação neste exercício. Vivemos em um mundo globalizado, e a cooperação deles tem sido essencial. Já tive a oportunidade de operar com eles em várias ocasiões na Ásia, e sempre destaco seu profissionalismo e espírito de cooperação. Obrigado a todos pelo treinamento conjunto e pelo apoio em qualquer lugar do mundo.”
Qual foi a parte mais desafiadora deste exercício?
“Sem dúvida, integrar tantos sistemas robóticos e autónomos. Fazer com que um robô esteja no lugar certo, na hora certa, impõe desafios grandes, especialmente por causa da sua baixa assinatura e da necessidade de coordenar múltiplas plataformas ao mesmo tempo. Aprendemos muito com essa experiência - tivemos vários sucessos, mas também lições que aplicaremos no futuro para melhorar a operação dessas plataformas híbridas.”
Havia muitos jovens e mulheres participando a bordo dos navios de diferentes países. Por que o senhor considera essa experiência importante para eles?
“Porque isso permite que conheçam seus pares e aliados em um ambiente real de cooperação. A UNITAS não é apenas operar em conjunto, mas também trocar experiências e construir vínculos pessoais. Esses jovens voltarão não só com mais experiência profissional, mas também com uma nova perspetiva sobre o mundo e uma rede internacional de confiança. No fim, é isso que fortalece nossa capacidade coletiva de resolver desafios globais.”
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