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Estudo explica por que o Tyrannosaurus rex ficou com braços curtos e mandíbulas enormes

Tiranossauro rex rugindo perto de ossos fósseis com dois cientistas ao fundo em cenário desértico.

Você talvez não diria isso na cara dele, mas o notoriamente assustador Tyrannosaurus rex há muito tempo virou alvo de piadas por causa dos seus bracinhos.

Agora, uma pesquisa nova pode ajudar a explicar essas mãos “engraçadas” - embora isso não seja garantia de que as risadas vão parar.

Por que o Tyrannosaurus rex ficou com braços curtos

De acordo com o estudo, à medida que as presas foram ficando maiores, os tiranossauros e outros dinossauros predadores de grande porte passaram a depender principalmente das mandíbulas como arma de ataque.

Nessa transição, os braços teriam perdido importância e, com o desuso, encolheram ao longo do tempo até se tornarem os pequenos “bracinhos” que hoje parecem quase asas de galinha.

A ideia de que esses membros eram vestigiais não é novidade. O trabalho, porém, avança ao associar diretamente a redução dos braços ao surgimento de cabeças e mandíbulas enormes e muito potentes.

"Nós buscamos entender o que estava impulsionando essa mudança e encontramos uma relação forte entre braços curtos e cabeças grandes, construídas de forma poderosa", afirma Charlie Roger Scherer, paleontólogo de vertebrados do University College de Londres.

"A cabeça passou a substituir os braços como método de ataque. É um caso de 'use ou perca' - os braços deixam de ser úteis e, com o tempo, diminuem de tamanho."

Presas gigantes e mordida extrema

Quanto às pressões externas por trás dessas mudanças, a equipe sugere que o T. rex não era o único animal a atingir dimensões inéditas.

No mesmo período, dinossauros saurópodes estavam crescendo até se tornarem os maiores animais terrestres que já caminharam na Terra.

Mesmo o bíceps mais forte não seria suficiente para dominar um desses gigantes; por isso, faz sentido que esses predadores tenham migrado para um ataque baseado em mandíbulas capazes de produzir a maior força de mordida já medida em um animal terrestre.

"Essas adaptações muitas vezes surgiram em regiões com presas gigantescas. Tentar puxar e agarrar, com garras, um saurópode de 100 pés [30 metros] de comprimento não é o ideal", diz Scherer.

"Atacar e se manter preso com as mandíbulas pode ter sido mais eficaz."

Embora o T. rex seja o caso mais famoso de “pular o treino de braço”, ele está longe de ser o único. Esse padrão de braços encurtando e cabeças aumentando parece repetir-se em várias linhagens de terópodes - dinossauros principalmente carnívoros com um plano corporal básico parecido com o de um T. rex.

Como o estudo comparou crânios e membros dos terópodes

Para a nova análise, os pesquisadores quantificaram o grau de redução dos membros anteriores e criaram um sistema inédito de pontuação para estimar quão robustos eram os crânios. Essa pontuação levou em conta aspectos como tamanho, força de mordida estimada e dimensões relativas.

Em seguida, a equipe comparou o comprimento dos membros anteriores com o comprimento e a robustez do crânio em 61 espécies de terópodes.

O resultado apontou uma associação forte entre braços reduzidos e crânios robustos em cinco famílias distintas de terópodes: tiranossaurídeos, abelissaurídeos, carcharodontossaurídeos, megalossaurídeos e ceratossaurídeos.

Curiosamente, nem o tamanho do crânio nem o do corpo, isoladamente, pareceu prever o tamanho dos braços. Muitos desses predadores cresceram até virar verdadeiros colossos, mas alguns permaneceram relativamente pequenos - ainda assim combinando cabeça poderosa com braços diminutos.

Mais estranho ainda: ao comparar linhagens diferentes, os autores observaram que o encurtamento não aconteceu sempre na mesma proporção. Em certos casos, o membro inteiro diminuiu de modo mais uniforme; em outros, algumas partes ficaram bem mais curtas do que outras.

Os braços eram pequenos, mas não inúteis

Embora hoje façamos piada a uma distância confortável de 65 milhões de anos, esses braços eram mais fortes do que parecem.

Mesmo que alguém colocasse uma focinheira em um T. rex, não seria uma boa ideia disputar uma queda de braço: acredita-se que ele ainda conseguiria fazer uma rosca de mais de 100 quilogramas (220 libras).

Isso seria pouco para segurar um saurópode em fuga, mas suficiente para sugerir alguma função secundária. Cientistas já propuseram que esses dinossauros poderiam usar os braços para ajudar a se levantar do chão depois de descansar, se segurar durante o acasalamento ou desferir golpes rápidos e profundos na presa.

Há também quem hipotetize que o T. rex teria evoluído braços curtos para reduzir a chance de que eles fossem arrancados por mordidas acidentais de parentes em frenesi ao redor da “mesa” durante a alimentação.

O que veio primeiro: cabeças grandes ou braços curtos?

Independentemente do que esses carnívoros faziam com os braços, os autores do estudo argumentam que, se a hipótese estiver correta, as cabeças grandes provavelmente surgiram antes dos braços reduzidos.

"Embora nosso estudo identifique correlações e, portanto, não consiga estabelecer causa e efeito, é muito provável que crânios fortemente construídos tenham surgido antes de membros anteriores mais curtos", diz Scherer.

"Não faria sentido evolutivo acontecer o contrário, com esses predadores abrindo mão do seu mecanismo de ataque sem ter um plano B."

Mas, como se sabe, a evolução às vezes faz coisas bem estranhas.

A pesquisa foi publicada na revista Anais da Sociedade Real B: Ciências Biológicas.

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