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IISC identifica RNF126 e BRAP como alvos para melhorar a eficácia da radioterapia

Cientista no laboratório analisando sequência de DNA no computador e usando pipeta em tubos de ensaio.

Pesquisadores do Instituto de Investigação em Saúde das Canárias (IISC) identificaram duas proteínas centrais na capacidade de células tumorais resistirem a tratamentos de radioterapia. Jessel Ayra e Veronique Smits destacam que RNF126 e BRAP podem se tornar novos alvos terapêuticos contra o câncer e apontam que, no futuro, bloquear essas proteínas pode aumentar a eficácia da radioterapia.

Os achados foram descritos em um artigo publicado na revista científica Cell Reports, com trabalho realizado em colaboração com o Centro Nacional de Investigação Cardiovascular Carlos III, de acordo com um comunicado do Ministério da Saúde do Governo das Canárias citado na quinta-feira pela agência Efe.

Como a radioterapia danifica o DNA e por que algumas células sobrevivem

Terapias anticâncer como a radioterapia (ou radiação ionizante) e alguns esquemas de quimioterapia atuam ao provocar danos no DNA das células tumorais, o que impede a multiplicação dessas células ou leva à sua morte. Ainda assim, parte das células cancerígenas consegue persistir ao acionar mecanismos de proteção que as ajudam a lidar com esse dano.

Mitose tardia: o ponto específico do ciclo celular estudado

O estudo descreve duas proteínas que acionam um mecanismo de proteção recém-identificado contra a radioterapia em um momento bem particular do ciclo celular: a etapa final da divisão celular, chamada mitose tardia.

Nessa fase - que dura apenas 15 minutos dentro de um ciclo completo que pode chegar a 24 horas - a célula reparte o material genético previamente duplicado entre duas células-filhas.

Apesar de ser um intervalo curto, ele ganha relevância em tumores, onde as células se dividem de modo contínuo e descontrolado; por isso, é mais provável encontrar células em mitose tardia em tecido tumoral do que em tecido saudável.

RNF126 e BRAP como fatores-chave de proteção após irradiação

Como a resposta ao dano no DNA durante a mitose tardia ainda era pouco compreendida, os pesquisadores investigaram quais proteínas participam de forma específica da sobrevivência celular após a irradiação quando o dano ocorre nessa etapa.

Em experimentos com células tumorais cultivadas, RNF126 e BRAP foram identificadas como fatores determinantes.

Os resultados indicaram que células danificadas durante a mitose tardia, em geral, são mais sensíveis à radioterapia. Porém, as que conseguem sobreviver dependem fortemente da presença de RNF126 e BRAP: quando os níveis dessas proteínas são reduzidos, as células acumulam mais danos e uma parcela menor permanece viva após a exposição à radiação, enquanto o impacto em outras fases do ciclo celular é mínimo.

A partir de análises em bases de dados, o grupo também observou que, em comparação com tecido saudável, RNF126 e BRAP aparecem em níveis aumentados em determinados tipos de câncer, como o adenocarcinoma pancreático.

Essas evidências reforçam a hipótese de que RNF126 e BRAP podem representar novos alvos terapêuticos contra o câncer.

Embora seja uma pesquisa básica feita em modelos celulares, os autores sugerem que a inibição dessas proteínas poderá, no futuro, melhorar a eficácia da radioterapia. Além disso, segundo o comunicado do Ministério da Saúde, o estudo traz informações novas sobre como o momento em que o DNA é danificado ao longo do ciclo celular influencia a resposta tumoral, abrindo linhas de investigação que podem contribuir para estratégias terapêuticas mais precisas.

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