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IA exige retorno e confiança: PwC e Microsoft no Show me Impact

Reunião de negócios em sala com vista para ponte, com projeção holográfica de gráficos e oito pessoas em discussão.

A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas um campo de testes para entrar em uma etapa em que as empresas passam a cobrar resultado, disciplina e capacidade de escalar iniciativas. Esse foi um dos recados do evento “Show me Impact”, que reuniu executivos da PwC, Microsoft e outras grandes companhias para compartilhar entregas, obstáculos e frustrações. Na abertura, André Rodrigues, sócio da PwC, afirmou que “em 2026 já é possível medir e avaliar o impacto real das iniciativas de IA”.

Do piloto ao ROI: o que a PwC viu sobre retorno em IA

O estudo global da consultoria, “Decodificando o ROI (retorno sobre o investimento) da IA”, apresentado pelo sócio Nuno Loureiro, apontou que 20% das empresas no mundo concentram 74% de todo o retorno gerado pelos investimentos em IA. Segundo ele, esse grupo se diferencia por priorizar “o foco no crescimento e não apenas na eficiência” e por montar estruturas fundacionais que tornam possível ampliar casos de uso com rapidez, sem perder controle.

A distância para os demais também aparece na capacidade de reinventar o próprio negócio: as líderes têm 2,6 vezes mais capacidade de fazer essa reinvenção e aplicam entre 2,3 e 3 vezes mais em colaboração no ecossistema, independentemente do setor.

“Inteligência x Confiança”: o ponto organizacional na visão da Microsoft

Na sequência, durante a conversa com o tema “Inteligência x Confiança”, Ricardo Pires Silva, executivo da Microsoft, defendeu que o próximo salto na adoção de IA nas empresas não é uma questão de tecnologia, e sim de organização interna. “É possível escalar a IA sem confiança? Não”.

Na perspectiva dele, confiança se apoia em três frentes - dados, modelos e uso responsável - e isso exige mecanismos novos de controle. O executivo argumentou ainda que as organizações precisam desenvolver o seu “QI organizacional”: uma camada de contexto que combina processos, dados, regras e conhecimento institucional. Somente com esse contexto os agentes conseguem atuar com o mesmo entendimento que um colaborador humano.

Exemplos de implementação de IA em Portugal: energia, seguros e CTT

No painel que encerrou o encontro, representantes dos setores de energia, seguros e distribuição postal relataram como vêm colocando IA em prática nas suas empresas.

No segmento de energia, a IA já é tratada como essencial para a operação. A representante do setor explicou que a tecnologia contribui para consolidar padrões, prever consumo e apoiar decisões no campo, mas reforçou que a palavra final seguirá com pessoas.

No mercado segurador, a aceleração da transformação foi destacada por João Saraiva, diretor de transformação digital na Generali Tranquilidade. Ele chamou atenção para o uso da IA como forma de manter conhecimento técnico e dar suporte à força de vendas. “A nossa ideia é democratizar e tornar o conhecimento acessível a todos”. Segundo ele, a nova geração de agentes generativos já consegue explicar produtos, sugerir alternativas e personalizar propostas - algo que, como ressaltou, “não existia até agora”.

Nos CTT, o efeito aparece de forma concreta na rotina, de acordo com Carlos Machado Silva, líder de IA. Ele relatou que, com um modelo que prevê janelas de horário de entrega, “reduzimos imediatamente o número de falhas na primeira tentativa de implementação, com impacto direto em custos e satisfação do cliente”.

Apesar de trajetórias e aplicações diferentes, as três organizações concordaram em um ponto: a fase de “fazer tudo para aprender” acabou. A partir de agora, o foco passa a ser priorização e rigor. Como explicou a representante do setor de energia, cada caso de uso é filtrado por três perguntas: para quem é, qual problema resolve e qual benefício entrega. Se, após três meses, a adoção não corresponde ao esperado, “é evidente que não funciona”.

Por isso, o acompanhamento contínuo se torna obrigatório. No setor de seguros, nenhum modelo chega à produção sem testes em escala e validação de risco. “Temos de seguir uma utilização ética e rigorosa”, afirmou João Saraiva.

Na parte final do debate, os participantes reconheceram que a IA vai mudar o trabalho, mas não necessariamente reduzir postos no curto prazo. “A aposta é fazer mais com o mesmo”, disse Carlos Machado Silva. Para o médio prazo, ele prevê a formação de equipes híbridas, com humanos e agentes, além de funções voltadas especificamente à gestão desses agentes.

Quando questionados se o país está pronto, os três convidados voltaram a convergir. “Se não está preparado, vai ter de se preparar, porque não há caminho alternativo”, enfatizou o executivo dos CTT.

Outras conclusões

  • A IA já entrega valor de forma concreta: aumenta a produtividade, diminui falhas e acelera processos. Ainda assim, “a maior frustração é a velocidade da tecnologia vs. capacidade interna”, alertou Carlos Machado Silva.
  • Para adotar, é preciso método, governança e ética - o que só se sustenta com democratização e muita capacitação, reforçou o executivo dos CTT.
  • A IA não acaba com o trabalho; ela o redefine, ao ampliar autonomia, reduzir tarefas repetitivas e viabilizar colaboração em times híbridos de humano + IA.
  • A IA recomenda, mas não toma o lugar de quem decide. “A decisão final será sempre humana”, afirmou a representante do setor de energia. Ela acrescentou que adaptar sistemas às pessoas é decisivo e que a tecnologia só funciona quando se ajusta à realidade do campo e às necessidades de cada função.
  • A IA também endereça a perda de conhecimento. “A rotatividade destrói conhecimento tácito e a IA ajuda a preservá-lo”, destacou João Saraiva.

Este projeto tem apoio de patrocinadores, e todo o conteúdo é criado, editado e produzido pelo Expresso (ver Código de Conduta), sem interferência externa.

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