Nem toda Lua Cheia é igual. Basta acompanhar a Lua por tempo suficiente para perceber algo curioso: de um ciclo para o outro, ela parece “passear” pelo céu, deslocando-se de norte para sul.
Bem-vindo(a) à impressionante precessão do nosso satélite natural, a Lua.
Por que a Lua muda de “faixa” no céu
Em dezembro passado, vimos a “Lua Cheia da Noite Longa”: a Lua Cheia mais próxima do solstício apareceu no ponto mais alto do céu nas últimas duas décadas. Agora chegou a vez do Hemisfério Sul, já que a Lua segue numa trajetória bem inclinada rumo ao sul, a caminho da fase cheia em 11 de junho.
Esse comportamento vem do desenho particular da órbita lunar. Um dado interessante: a órbita da Lua tem uma inclinação de 5.15 graus não em relação ao eixo de rotação da Terra, mas em comparação com a eclíptica, o plano do caminho da Terra ao redor do Sol.
Por causa disso, a Lua pode alcançar, no céu, declinações de 28.65 graus ao sul e ao norte. Esse total corresponde a 23.5 graus (a inclinação do eixo terrestre) somados a 5.15 graus (a inclinação da órbita da Lua em relação à eclíptica).
Essa inclinação de cerca de cinco graus também explica por que não vemos eclipses a cada lunação; em vez disso, eles aparecem como “marcos” que abrem e fecham as temporadas de eclipses, que ocorrem duas vezes por ano.
Precessão nodal e Estolado Lunar Maior/Menor (Major/Minor Lunar Standstill)
Essa variação extrema não se repete na maioria dos anos. Trata-se de um ciclo que atravessa quase uma geração: são 18.6 anos de um Estolado Lunar Maior (Major Lunar Standstill) ao próximo. Entre esses anos mais “acentuados”, o caminho aparente da Lua em relação à eclíptica fica mais “raso”, fase conhecida como Estolado Lunar Menor (Minor Lunar Standstill).
O último Estolado Lunar Maior aconteceu em 2006, e em 2025 a passagem do nó (node crossing) ocorre em 29 de janeiro. Depois deste ano, a rota aparente da Lua volta a ficar menos inclinada. Isso acontece porque a órbita lunar é lentamente “arrastada” e completa uma volta a cada 18.6 anos (principalmente devido à atração do Sol), num processo chamado precessão nodal.
Outro fato curioso: a Lua pode aparecer, ao longo de sua trajetória, em 18 constelações modernas - as 12 constelações zodiacais, mais Ofiúco, Sextante, Órion, Auriga, Cráter e Corvo.
A relevância da “Lua da Noite Longa” não passou despercebida pelos povos antigos, que a usavam para marcar intervalos de tempo maiores. As Pedras de Callanish, na atual Escócia, erguidas na Idade do Bronze, foram identificadas como alinhadas com o nascer e o pôr da Lua quando ela percorre essa ampla faixa no céu.
A Lua Cheia de junho de 2025 e a “Lua de Morango”
A Lua Cheia de junho de 2025 acontece nos dias 10/11, apenas 10 dias antes do solstício de junho, quando o Sol atinge seu extremo ao sul. Essa Lua Cheia de junho também é conhecida, às vezes, como a “Lua de Morango”.
Vistas de latitudes médias do Hemisfério Norte, a Lua Cheia de junho de 2025 vai praticamente “raspar” as copas das árvores ao sul… enquanto, “ao norte de 60”, em lugares como Alasca, Gronelândia e Islândia, a Lua não chegará a nascer. Ao mesmo tempo, no Hemisfério Sul, observadores terão a sua própria “Lua da Noite Longa”, bem alta no céu de junho.
A Lua também ocultará Spica em 6 de junho para a Tasmânia e o sul da Nova Zelândia, e Antares para Austrália e Nova Zelândia no dia 10, pouco antes de ficar Cheia. Em julho, Regulus entra na rota de ocultações da Lua. Começa aí um período raro em que três das quatro estrelas brilhantes de quarta magnitude que a Lua consegue ocultar atualmente ficam alinhadas ao longo do caminho lunar. Apenas Aldebaran fica fora desse grupo.
Se o céu estiver limpo, vale a pena reparar na posição da Lua Cheia nascendo nas noites dos dias 10 e 11. Onde quer que você observe será o seu “observatório” pessoal - seja no quintal, na entrada de casa ou no alto de um morro - e é sempre fascinante perceber os limites locais do seu ponto de observação.
Embora astrofotógrafos de céu profundo possam reclamar da Lua, podemos agradecer: ela deu à nossa espécie uma excelente lição de mecânica celeste, iluminando o nosso caminho rumo às estrelas.
Este artigo foi publicado originalmente pela Universe Today. Leia o artigo original.
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