A montagem "Sila", assinada pela produção do Fio D'Azeite, fica em cartaz até domingo na Casa de Teatro de Sintra.
Arte como caminho para pensar as alterações climáticas
Dá para a arte funcionar como instrumento de reflexão sobre as alterações climáticas? "Sila", texto de Chantal Bilodeau que ganhou forma em cena pela produção do Fio D'Azeite - companhia residente do Chão de Oliva - Centro de Difusão Cultural -, atualmente em temporada na Casa de Teatro de Sintra e, "em cena até amanhã", mostra que sim.
Enredo no Ártico e linguagem multimídia em "Sila"
Com atores, máscaras, marionetes e uma presença multimídia marcante, o espetáculo aponta a necessidade de desacelerar um cotidiano "frenético" e de cuidar "de nós, dos outros e do que nos rodeia", como destaca o encenador Nuno Correia Pinto.
A história se passa na Ilha de Baffin, em Nunavut, no Canadá, e acompanha uma cientista e sua filha, dois oficiais da Guarda Costeira, um ancião inuíte e dois ursos polares. A trama vai além de expor como esse território - e as vidas que o atravessam - é afetado pelo degelo, pela poluição, pela pressão geopolítica e pela exploração de minerais, entre outros problemas: ela evidencia como tudo se conecta e como não dá para permanecer indiferente.
Nuno Correia Pinto ainda chama atenção para o risco de a rotina nos fechar em nós mesmos: "vivemos tão preocupados com o nosso mundo, as nossas preocupações, dentro da nossa redoma, que nos esquecemos de cuidar da nossa casa comum, que é o planeta".
Chantal Bilodeau, Ciclo Ártico e novas formas de abordar a crise
Para Chantal Bilodeau, dramaturga que espera que a peça - a primeira de uma série batizada de Ciclo Ártico - "dê ao público ferramentas para pensar sobre a crise climática sem cair no desespero", é essencial buscar maneiras diferentes de tratar as alterações climática, maneiras "que transcendam os domínios da ciência e da política".
Fundadora da Arts & Climate Initiative e cofundadora do Climate Change Theatre Action, Bilodeau defende que "As artes, incluindo o teatro, são canais poderosos para explorar conceitos e sentimentos difíceis" porque "convidam à reflexão sobre quem somos e quem queremos ser nesta nova era de incertezas", sobre os nossos "valores" e o "tipo de futuro" que queremos.
Onde e quando assistir na Casa de Teatro de Sintra
"Sila" já passou por diferentes cidades dos Estados Unidos, além de ter sido apresentada no Canadá e no Alasca, por exemplo. Em Sintra, a peça pode ser vista na Casa de Teatro de Sintra neste sábado, às 21h30, e no domingo, às 16h.
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