Por enquanto, as informações divulgadas ainda são poucas. Mesmo assim, o novo motor apresentado pela Honda na EICMA, na Itália - um dos maiores salões do mundo voltados ao universo das duas rodas - já dá bons motivos para chamar atenção.
Ao mesmo tempo em que a divisão de automóveis da Honda reduz o ritmo no desenvolvimento e na produção de motores a combustão, o braço de motocicletas da marca japonesa segue investindo em soluções inéditas para aumentar potência e eficiência em propulsores que ainda usam gasolina.
Para chegar lá, a Honda deixou de lado manuais e convenções tradicionais do setor. Quando esse motor chegar às ruas - com expectativa apontando para 2026 -, ele deve se tornar o primeiro motor tricilíndrico em V do mundo com turbocompressor elétrico. De acordo com a fabricante, esse conjunto vai equipar uma nova geração de motos japonesas de alta cilindrada.
A vantagem do três cilindros em “V”
No desenho mecânico, trata-se de um tricilíndrico em “V” com ângulo de 75º. Dois cilindros ficam voltados para a frente, enquanto o terceiro é instalado na parte traseira.
Vale lembrar que, nas motos, a solução mais comum quando se busca alta potência costuma ser o motor de quatro cilindros, seja em linha ou em “V”. Ainda assim, a configuração V3 permite deixar a dianteira mais estreita e também afina a área onde as pernas se encaixam.
O problema da potência
Para compensar a questão da potência (ou, em outras palavras, a ausência de um quarto cilindro), a Honda foi buscar uma tecnologia que não aparecia em suas motos desde 1982: a sobrealimentação por turbo. Foi justamente naquele ano que a marca estreou o recurso na Honda CX500TC, a primeira motocicleta do mundo com motor turbinado.
Dentro do universo das duas rodas, essa escolha foge do padrão por dois motivos: 1) a necessidade de torque não costuma ser tão determinante quanto nos automóveis; 2) a entrega de potência em motores turbinados tende a ser menos linear, e linearidade é um ponto crítico em motos.
Para contornar esse comportamento - e, de quebra, resolver alguns pontos conceituais que surgem junto com ele - a Honda adicionou um “truque” ao turbo. Em vez do acionamento tradicional por gases do escapamento, este turbocompressor é movimentado por um motor elétrico.
Com isso, o turbo consegue comprimir ar para a admissão já em baixas rotações e sempre de modo controlado, com gerenciamento eletrônico.
Além disso, por dispensar os gases do escapamento, o sistema abre mão do inter-resfriador (não existe a necessidade de resfriar o ar de admissão) e também evita as ligações mais complexas ao coletor de escapamento. Como o espaço disponível em motos é limitado, a acomodação de componentes quase sempre é mais desafiadora.
Esse conjunto deu aos engenheiros da Honda uma liberdade quase total para escolher onde instalar o turbo. Pelo que indica o protótipo, ele ficará na parte superior do motor, acima dos corpos de admissão e imediatamente abaixo do tanque de combustível.
O primeiro de muitos motores V3 turbo?
A Honda informou que seguirá desenvolvendo o motor V3 Turbo até ele chegar ao mercado, em algum momento de 2026. A prioridade será aplicá-lo em modelos de alta cilindrada.
Embora a fabricante não tenha revelado quais motocicletas receberão esse conjunto, as imagens apontam a CB1000R como uma das candidatas mais prováveis - uma esportiva sem carenagem.
Independentemente do modelo escolhido pela Honda, fica a pergunta: será que este pode ser o começo da popularização dos motores turbo também nas duas rodas? Só o tempo vai responder.
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