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GEOTEX na Exposição de Empresas de Defesa em Buenos Aires
Tendo como cenário o Regimento de Infantaria 1 “Patricios”, no bairro de Palermo, na cidade de Buenos Aires, o Ministério da Defesa da República Argentina realizou, entre 8 e 9 de outubro, a Primeira Exposição de Empresas de Defesa e o Segundo Congresso de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Defesa Nacional. Em meio a diversas companhias argentinas presentes, a GEOTEX - empresa local de referência no fornecimento de diferentes tipos de indumentária para as Forças Armadas argentinas - chamou atenção ao levar ao evento seus desenvolvimentos e novidades mais recentes no setor.
Ainda durante o encontro, a Zona Militar conversou com Raúl Latour, sócio-gerente da GEOTEX, que apresentou um panorama detalhado sobre capacidades, potencial e projetos em andamento da empresa. Segundo ele, a companhia tem 90 colaboradores diretos e atua com apoio de até 400 fornecedores locais e internacionais, com o propósito de produzir vestuário dentro de elevados padrões de qualidade e segurança para as Forças Armadas, além de atender também o mercado interno.
Produção e fornecimento de indumentária ignífuga e camuflada para as Forças Armadas argentinas
Sobre o portfólio, Latour explicou: “Somos fornecedores de vários segmentos; entre outros, fornecemos às Forças Armadas - tanto à Marinha Argentina, ao Exército e à Força Aérea - indumentária ignífuga e indumentária camuflada”. Ele acrescentou que a fabricação “... se centraliza em Berazategui. Temos duas plantas lá e uma planta em Capitán Sarmiento”, e ressaltou que a GEOTEX também fornece indumentária e equipamentos ao Comando Conjunto Antártico.
Nesse contexto, o vestuário ignífugo ganha relevância por ser aplicado em diferentes funções militares. Latour mencionou, por exemplo, o traje especial desenvolvido para militares de regimentos de Cavalaria do Exército Argentino, além dos macacões de voo usados por pilotos da Direção de Aviação do Exército e da Força Aérea Argentina.
Ele detalhou esse desenvolvimento: “... um traje especial para o pessoal da Cavalaria, que é quem vai dentro dos tanques. Desenvolvemos um dispositivo de extração rápida de Kevlar para poder retirar o militar que tenha ficado afetado por fogo pela escotilha. Além disso, um conjunto especial e ignífugo para todos os que estão dentro da cabine do tanque”.
Macacões de voo, materiais reciclados e expansão do portfólio
No segmento de macacões de voo, Latour destacou: “... somos os únicos fabricantes do macacão de voo, que não é utilizado somente pela Força Aérea, mas também pela Aviação do Exército e pela Marinha Argentina, tanto para helicópteros quanto para aviões. Isso é feito com um tecido especial homologado pelos Estados Unidos, e as medidas do macacão - as medidas do macacão de voo -, a direção dos zíperes, o tipo de velcro, de fixadores tipo gancho e argola, tudo está de acordo com a normativa americana”.
Além desses projetos próprios - como o traje para unidades de Cavalaria e a jaqueta de voo, na qual foi empregado material reciclado -, a empresa ampliou frentes de inovação e desenvolvimento, sempre mirando padrões internacionais elevados. No caso da jaqueta de voo, Latour observou que ela se transforma em “... abrigo, não somente para a roupa militar, mas também para a roupa de bombeiros e para a roupa de oil & gas, a roupa de abrigo de oil & gas”.
Proteção balística e melhorias “antivetor” adaptadas ao terreno
Um exemplo da ampliação do portfólio é a proteção balística. Sobre esse ponto, Latour afirmou que a GEOTEX já dispõe de “... seis tipos de coletes diferentes, com níveis distintos, 100% fabricados no país, exceto o tecido, que é homologado pelos Estados Unidos. O fornecedor do tecido é americano, e temos a licença deles para poder fabricar sob a normativa deles”.
Paralelamente ao segmento balístico, a empresa segue introduzindo melhorias sucessivas no vestuário que produz, acompanhando demandas cada vez mais exigentes dos clientes. Nessa linha, Latour mencionou o desenvolvimento de novos equipamentos e peças “antivetor” - isto é, antimosquito - e também a adequação às condições específicas de cada cenário de emprego geográfico.
Ele explicou: “Sabemos como fazer com que esse equipamento respire e, portanto, que a pessoa esteja sempre fresca e seca. Nesse mesmo equipamento, podemos colocar um antivetor, por exemplo, um antimosquito. Temos equipamentos especiais tanto para muito calor quanto para muito frio”.
Prospecção regional e novos mercados
Considerando a realização da Primeira Exposição de Empresas de Defesa, e embora o foco principal tenha sido atender o mercado argentino, a GEOTEX vem analisando oportunidades fora do país, especialmente na região. A empresa avalia requisitos e necessidades em mercados como Paraguai e Peru, onde, segundo Latour, “... com base nisso já enviamos amostras, então estamos nos preparando para poder produzir para o restante da América Latina e algum segmento fora da América Latina também”.
Indumentária “anti-exposição” para águas geladas e a meta de “salvar vidas”
Diante do conjunto de capacidades que a GEOTEX coloca à disposição do instrumento militar nacional - combinando experiência, inovação e escala produtiva -, a Zona Militar perguntou se a empresa avançava em outras frentes além das já citadas. A resposta veio conectada ao objetivo central que a companhia se impôs: “salvar vidas”.
Latour afirmou: “Qualquer serviço ou elemento de proteção que salve uma vida, lá estaremos nós. Não se trata somente de um produto pessoal; também oferecemos serviços e outros produtos”.
Essa diretriz levou a GEOTEX a entrar no segmento de indumentária “anti-exposição”, o que a colocaria como “... a quarta empresa no mundo a fabricá-lo”, em um mercado internacional que hoje conta apenas com três empresas nórdicas.
Ao detalhar, Latour explicou que esse conjunto de roupas e equipamentos foi pensado para operações em águas geladas, com foco em preservar a vida de pilotos e tripulantes de helicópteros ou aeronaves. O “... objetivo é que o pessoal que sobreviva ao impacto não morra por choque térmico e consiga permanecer flutuando por cerca de 40 minutos suportando o frio da água. Portanto, tem que ser um equipamento ignífugo e absolutamente estanque, mas não estanque demais para que não fique flutuando com as pernas para cima”, motivo pelo qual “... deve suportar 40 minutos em águas geladas”.
Por fim, sobre a presença na Primeira Exposição de Empresas de Defesa, Latour resumiu a participação da empresa: “Hoje estamos aqui porque temos fé. Estamos nos preparando para poder fornecer novamente ao Estado Argentino e ao restante da região. Estamos aqui porque realmente acreditamos que o rumo mudou e que hoje podemos novamente nos inserir com equipamentos de altíssimo desempenho e oferecê-los ao Estado”.
*Agradecimentos a Raúl Latour e Eduardo López pelo tempo e gentileza na elaboração deste artigo.
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