A BYD caminha para encerrar 2024 como a montadora que mais vende carros elétricos no mundo - em 2023, ficou a pouco mais de 200 mil unidades da Tesla.
Mesmo assim, na visão da BYD, os 100% elétricos deixaram de ser o único centro das atenções, pelo menos por enquanto. Esse ajuste aparece sobretudo na Europa, onde os híbridos devem ter um papel decisivo no médio prazo.
DM-i e a desaceleração dos elétricos na Europa
Esse foi um dos pontos mais marcantes da conversa com Stella Li, vice-presidente executiva da BYD e uma das principais lideranças globais do grupo chinês, que admite estar a caminho de se tornar “uma espécie de empresa europeia local”.
Na entrevista, Stella Li explicou que, com o ritmo de vendas de elétricos diminuindo no continente, a tecnologia híbrida voltou a ganhar força e a estratégia da marca precisou se adaptar:
A tecnologia DM-i (híbrida plug-in) será mais importante do que os 100% elétricos (na Europa).
Stella Li, vice-presidente executiva da BYD
Segundo a executiva, em vários mercados - com destaque para países do sul da Europa - a participação dos elétricos historicamente é baixa. Ela apontou a falta de infraestrutura de recarga já instalada e a chamada ansiedade de autonomia como fatores que ainda pesam na decisão do público.
Na mesma linha, reforçou a ideia de que a DM-i pode funcionar como ponte de entrada para novas tecnologias:
“Acho que a tecnologia DM-i (híbrida plug-in) será o produto intermédio para lhes dar a primeira experiência de uma nova tecnologia. É nisso que estamos focados”, afirmou.
Seal U na Europa: versão elétrica e versão DM-i
Vale lembrar que a fabricante chinesa acaba de lançar na Europa o Seal U, que em Portugal é oferecido tanto em configuração 100% elétrica quanto na variante DM-i, com sistema híbrido plug-in - versão que já testamos.
Aposta forte na Europa
Na conversa com Stella Li, ficou evidente o peso que a Europa tem nos planos da BYD. E a confirmação de duas fábricas em território europeu reforça esse movimento.
“No próximo ano, a nossa fábrica (na Hungria) vai começar a produzir (…). Além disso, também vamos investir em pesquisa e desenvolvimento aqui na Europa”, disse.
Aos poucos vamos transformar a BYD numa espécie de empresa europeia local. Essa é a nossa ambição.
Stella Li, vice-presidente executiva da BYD
Com capacidade anual estimada de 150 000 carros, a unidade da BYD na Hungria será a primeira de duas fábricas europeias da marca. A segunda ficará na Turquia e deve iniciar operações em 2026, ainda que com foco principal em atender o mercado local.
É justamente na planta da Hungria que serão fabricados os dois novos modelos que a BYD pretende lançar no mercado europeu no próximo ano.
“No próximo ano a BYD vai apresentar dois modelos para o segmento B, um SUV e uma berlina. Queremos penetrar no mercado, por isso vamos investir. Estes dois modelos serão produzidos na Hungria”, afirmou, antes de admitir que novas fábricas podem entrar no radar conforme o desempenho do negócio:
Se o nosso negócio for bem sucedido, se for necessário, temos de investir mais.
Hidrogênio descartado
Enquanto marcas como Toyota, Hyundai e BMW seguem ampliando os investimentos em hidrogênio, essa não é uma rota que se encaixe na leitura de futuro da BYD.
Questionada sobre a existência de algum projeto em andamento com célula a combustível de hidrogênio, Stella Li foi direta:
“Não acreditamos que o hidrogénio ou a pilha de combustível venha a ser a tendência. Os veículos alimentados a bateria vão ser o futuro, vão ser a tendência”, cravou.
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