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Xiaomi cresce no mercado automotivo, mas amplia prejuízo por carro no 1º trimestre de 2026

Carro elétrico branco Xiaomi 2026 em exposição minimalista com iluminação natural e piso refletivo.

A Xiaomi segue ganhando espaço no mercado automotivo, mas os números do primeiro trimestre de 2026 indicam que a pressão sobre as finanças da companhia aumentou.

Entre janeiro e março de 2026, a empresa entregou 80 856 veículos, alta de 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No segmento de veículos elétricos e inteligência artificial, a receita atingiu 19,9 bilhões de yuans (cerca de 2,5 bilhões de euros na cotação atual), com avanço de +6,9%.

Apesar do crescimento, o trimestre terminou com um custo alto por unidade: para cada carro entregue, a Xiaomi teve uma perda equivalente a 4812 euros. A estimativa resulta da divisão entre o prejuízo operacional da divisão automotiva e o total de veículos vendidos no período. O número fica bem acima do prejuízo de 774 euros por unidade registrado no primeiro trimestre de 2025, o que representa um aumento de cerca de 522%.

Após a divulgação do balanço, as ações da Xiaomi recuaram 4,57% em Hong Kong, com o mercado reagindo de forma negativa aos indicadores apresentados.

Os três motivos para a queda

A margem bruta do braço automotivo também perdeu fôlego: caiu de 23,2% para 20,1% na comparação anual. A Xiaomi atribuiu o resultado a três fatores: o efeito dos subsídios assumidos pela própria empresa para compensar mudanças nos benefícios fiscais na compra de veículos na China, a elevação do custo de componentes e a redução nas entregas do SU7 Ultra (o modelo de maior margem).

Com isso, o trimestre fechou com prejuízo operacional de 3,1 bilhões de yuans (392,3 milhões de euros).

Gama da Xiaomi a crescer

A estreia da Xiaomi no setor automotivo aconteceu com o SU7, um sedã elétrico que rapidamente conquistou reconhecimento na China. A atualização do modelo, lançada em março de 2026, já somava mais de 80 mil pedidos até o início deste mês.

O YU7, SUV elétrico lançado mais recentemente, acumula 232 mil entregas nos primeiros 10 meses desde a chegada ao mercado. Atualmente, é o segundo SUV mais vendido do segmento na China.

Neste mês, a empresa ampliou a linha com o YU7 Standard e o YU7 GT. Este último, a versão mais potente, com quase 1000 cv de potência, tornou-se o SUV mais rápido no circuito de Nürburgring, mas parte de 389 900 yuans (cerca de 49 365 euros).

Automóveis são uma maratona

Quando a Xiaomi decidiu entrar no mercado automotivo, Lei Jun, fundador e líder da companhia, admitiu sem rodeios que a empresa perdia dinheiro a cada carro vendido. No início, a aposta foi priorizar escala e visibilidade.

Agora, mesmo com a Xiaomi acelerando no setor, os resultados reforçam que transformar demanda (e reputação) em lucro não é um sprint, e sim uma maratona.

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