Intensificação das missões de vigilância perto de Cuba
Nas últimas semanas, os Estados Unidos elevaram o ritmo das missões de coleta de informações militares nas imediações da costa cubana, como parte de uma estratégia ampliada de pressão contra Havana.
Levantamentos públicos de rastreamento de voos indicam que aeronaves da Marinha e da Força Aérea dos EUA conduziram pelo menos 25 operações de vigilância na região em período recente.
Entre os meios empregados estão o Boeing P-8A Poseidon, usado em patrulha marítima; o RC-135V Rivet Joint, voltado à interceptação de sinais; e o drone MQ-4C Triton, dedicado ao monitoramento em grande altitude.
Algumas dessas missões ocorreram a cerca de 65 quilômetros do litoral cubano, com concentração especialmente nas proximidades de Havana e de Santiago de Cuba. Apesar da frequência elevada de voos, não há registros de incursões no espaço aéreo de Cuba.
Encontro do diretor da CIA em Havana e recado de Trump
A intensificação da vigilância ocorre no mesmo período em que o diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve em Havana em 14 de maio, numa visita incomum. Na ocasião, ele se reuniu com autoridades cubanas de alto escalão, incluindo o neto do ex-presidente Raul Castro, Raul Guillermo Rodríguez Castro, o ministro do Interior Lázaro Álvarez Casas e o chefe da inteligência local.
Segundo um porta-voz da CIA, Ratcliffe levou a mensagem do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos estariam dispostos a conversar sobre temas econômicos e de segurança, desde que Cuba promova “mudanças fundamentais” em seu regime comunista. Ainda conforme a mesma fonte, a posição americana também sustenta que Cuba não pode mais oferecer abrigo a inimigos dos EUA na região.
Possível processo contra Raul Castro pelo caso de 1996
Paralelamente, os EUA avançam na possibilidade de abertura de um processo criminal contra Raul Castro, ligado ao abate, em 1996, de duas aeronaves civis do grupo humanitário “Brothers to the Rescue”, episódio que matou quatro cubano-americanos.
Enquanto o governo cubano afirma que os aviões teriam invadido seu espaço aéreo, os Estados Unidos e familiares das vítimas argumentam que o ocorrido se deu em águas internacionais.
Crise energética cubana e impacto nos aeroportos
Ao mesmo tempo, Cuba atravessa uma crise energética grave, marcada pelo esgotamento de estoques de diesel e de óleo combustível, o que fragiliza a rede elétrica e resulta em apagões recorrentes.
Em fevereiro de 2026, autoridades de aviação do país alertaram que o combustível de aviação Jet A-1 não estaria disponível em diversos aeroportos, inclusive o José Martí, em Havana, o que provocou cancelamentos e alterações em voos.
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