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Impressões iniciais de Endling: Extinction is Forever: sobrevivência em um mundo em chamas

Raposa adulta com três filhotes em área poluída com sinal de toxicidade e máscara de gás no chão.

Na apresentação Indie World de dezembro passado, a Nintendo deu destaque a Endling: Extinction is Forever, e a proposta me fisgou na hora. A ideia é abordar, de forma triste e deliberada, o impacto do desmatamento e das mudanças climáticas.

Premissa de Endling: Extinction is Forever e o peso do tema

O início de Endling já é um soco: a destruição da natureza provocada por humanos aparece de um jeito assustador. Você assume o controle de uma das últimas raposas da Terra e precisa fugir de uma floresta - provavelmente o seu lar - que está sendo consumida por um incêndio. Pouco depois de encontrar um novo esconderijo, vem a virada: você tem uma ninhada de filhotes para criar.

Cuidar deles significa alimentar e proteger os pequenos enquanto eles crescem, sempre tentando escapar dos perigos de um mundo que já não é seguro para você.

Emoção, sobrevivência e direção de arte

Endling acerta em cheio a sensação de sobreviver por um triz. Nos meus melhores momentos, consegui manter os filhotes alimentados e ainda ensinar habilidades novas para que eles se virem quando eu não estiver mais por perto. Nos piores, um filhote desapareceu do grupo, enquanto os outros acabaram feridos por predadores naturais, como corujas, e também por caçadores humanos atrás da minha pele.

Mesmo quando tudo parecia sob controle, era angustiante carregar a certeza de que o mundo está queimando e de que eu era a última da minha espécie. Quando a situação desandava de vez, o resultado era devastador. Se você, como eu, tem um ponto fraco por bebês de animais, é bem provável que Endling te atinja em cheio.

Ajuda - e muito - o estilo visual: pinceladas largas de cor e um minimalismo bem marcado, com um resultado bonito de verdade, principalmente na forma como brinca com primeiro plano e fundo.

Jogabilidade e furtividade: uma prévia com limitações

Se a premissa funciona de forma retumbante, a jogabilidade ainda deixa a desejar. O estúdio Herobeat descreve Endling como um jogo de furtividade em 3D com rolagem lateral - e é isso mesmo -, mas ele não se destaca particularmente em nenhum desses dois caminhos.

No momento a momento, falta o que fazer. Dá para usar o focinho da raposa para rastrear cheiros, que normalmente levam a comida para os filhotes, e também é possível atacar presas desprevenidas ao se aproximar em silêncio de criaturas como ratos e coelhos. Só que, fora isso, é basicamente o que existe (ou, pelo menos, foi tudo o que consegui fazer nesta sessão de prévia). É verdade que novas habilidades dos filhotes - como pular, escalar e se espremer por frestas pequenas - mudam um pouco o ritmo, mas, no fim das contas, elas acabam servindo para chegar a novas fontes de alimento.

Há trechos mais voltados à furtividade, como quando você encontra o caçador que sequestrou um dos seus filhotes. Só que esses encontros se resumem a esperar até que ele pare de apontar a lanterna na sua direção para então avançar. Depois de localizar esse caçador, ele continuou parado no mesmo lugar por dias; isso significava que, a cada noite em que eu saía para caçar, precisava atravessar exatamente a mesma sequência de furtividade, do mesmo jeito, toda vez. Rapidamente ficou sem graça, mas, infelizmente, era necessário para seguir explorando a região.

Ainda assim, dá para perceber que boa parte dos meus problemas com a jogabilidade pode ter a ver com o fato de eu ter jogado apenas as horas iniciais. Conforme avancei nesse começo, meus filhotes foram aprendendo novas habilidades, e eu torço para que as capacidades que eu ainda não desbloqueei mexam mais com o jogo do que simplesmente “aqui vai um novo jeito de conseguir comida”.

Apesar das limitações, a exploração me deixou curioso. A cada noite eu conseguia avançar por novas partes do mundo, motivado pelo que ia descobrindo. Isso me levou a encontrar novos objetos para farejar, que traziam pistas sobre o paradeiro do filhote desaparecido. Também abriu caminhos que antes estavam bloqueados.

Endling não chega a ser um jogo à la Metroid, e nem parece querer ser. Mesmo assim, eu gostei de como cada noite de exploração terminava com uma compreensão melhor do entorno e com mais pedaços do mapa revelados. Só espero que o jogo completo ofereça mais lugares para vasculhar, porque, depois de duas horas, eu já queria algo diferente. A boa notícia é que não vou precisar esperar muito para descobrir: Endling: Extinction is Forever chega ao PlayStation 4, Xbox One, Switch e PC em 19 de julho.

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