O engenho humano, por natureza, é obstinado e pouco disciplinado. As amarras do planejamento raramente conseguem contê-lo - e talvez por isso não surpreenda que a maioria das previsões termine dando errado.
A indústria automobilística ilustra bem essa lógica. Quantas vezes caminhos tratados como inevitáveis acabaram desviando do traçado que parecia certo?
Euro 7 e 2035: quando as certezas viram dúvidas
Um dos casos mais recentes passa pela norma Euro 7. Da proposta inicial ao texto final, muita coisa foi alterada - para não dizer que quase tudo mudou. E, quando o assunto é a proibição de motores a combustão até 2035, as “certezas” ficam cada vez mais escassas.
No meio desse cenário, sobra uma convicção: a descarbonização do automóvel vai mesmo precisar acontecer. A pergunta é se existe mais de um caminho para chegar lá.
Mais de 500 km na Islândia com o Mazda MX-30 R-EV
Para tentar responder, percorri mais de 500 km na Islândia ao volante de um Mazda MX-30 R-EV. A completa ausência de pontos de recarga e, ao mesmo tempo, a presença constante de tantas (e tão diferentes) fontes de energia renovável ao redor ajudaram a colocar o tema em perspectiva.
Inovação. Nosso principal ativo
A inventividade humana é, talvez, o maior ativo da nossa espécie. Graças a ela, mesmo diante das previsões mais sombrias, seguimos fazendo cada vez mais com cada vez menos - e continuamos avançando.
Um desígnio para o qual contribui todos os dias a máquina mais perfeita que a natureza já criou: o cérebro humano.
Enquanto escrevo, milhares de engenheiros procuram rotas alternativas para um mesmo desafio: as mudanças climáticas. E os carros, como sabemos, estão ao mesmo tempo do lado do problema e do lado da solução.
Por isso, em Hiroshima - cidade onde a Mazda nasceu - existe um batalhão de especialistas trabalhando em respostas que vão além da eletrificação. Um detalhe curioso, sobretudo em uma cidade em que essa capacidade de engenho humano já precisou ser levada a níveis inimagináveis.
Uma tecnologia alternativa
A Mazda defende que os combustíveis sintéticos podem ser a peça que faltava no quebra-cabeça da descarbonização do setor automotivo. Sim, a eletrificação tende a se tornar cada vez mais presente, mas pode haver alternativas.
Por esse motivo, a marca japonesa segue investindo em motores a combustão, com destaque para os Wankel. Compactos e leves, esses motores podem ajudar veículos 100% elétricos a irem mais longe, gerando energia para as baterias quando estamos fora do perímetro urbano.
No vídeo em destaque, vocês encontram todas as minhas considerações sobre essa tecnologia. Afinal, ter rodado mais de 500 km por algumas das regiões mais inóspitas do planeta, na companhia do Mazda MX-30 R-EV, ajudou a esclarecer algumas questões.
Ainda assim, no fim, fiquei com a mesma dúvida: será que o futuro será mesmo 100% elétrico? Pelo que vi nesta viagem à Islândia, me parece que o futuro ainda não aceita uma única resposta.
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