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Mobilidade elétrica: Carlos Tavares, da Stellantis, mantém o plano de 2035

Carro esportivo elétrico branco modelo EV2035 em showroom moderno com carregador na parede.

A mudança para a mobilidade elétrica talvez não esteja avançando no ritmo das projeções mais otimistas de reguladores e montadoras, mas Carlos Tavares, diretor-executivo da Stellantis, admite que o destino do setor é, de forma inevitável, elétrico.

Essa postura faz sentido, sobretudo porque, recentemente, o executivo tem se colocado com força contra qualquer adiamento das metas de corte de emissões de CO2, que levam, em 2035, à proibição da venda de carros novos com motor a combustão.

De ceticismo a pragmatismo até 2035

Ainda assim, o posicionamento atual parece destoar do que ele defendia anteriormente. Em 2022, Tavares criticou de maneira aberta a estratégia da Comissão Europeia de eletrificação total e de abandono dos motores a combustão interna, argumentando que a migração para veículos elétricos envolve custos “para lá dos limites” que a indústria automotiva consegue suportar.

Durante uma mesa-redonda em Paris, Carlos Tavares explicou essa aparente mudança de discurso: “Quando essa data foi definida fomos muito críticos porque achámos que era demasiado caro e não era a maneira mais eficiente de resolver o problema do aquecimento global. Mas agora, passado todo este tempo, trabalhámos duramente para estarmos prontos em 2035. Acho que devemos manter o plano, porque queremos estar no lado certo da história. Mas as regras têm que ser estáveis e fiáveis.”

A estratégia elétrica da Stellantis

Segundo o executivo, esse esforço já aparece no portfólio totalmente elétrico do grupo: são 16 modelos no segmento B (um dos mais acessíveis), dentro de um total de 40 modelos sem emissões, reforçando a prioridade dada à eletrificação.

Remar contra a maré

Mesmo com esse investimento, a Stellantis acaba em uma posição relativamente isolada, já que há diversas vozes no setor pedindo que a CE adie as metas definidas. Tavares, porém, não dá sinais de recuar.

“Não tenho intenções de concorrer a nenhum lugar político, por isso não me preocupa. Dirigir uma empresa de outra forma, não cumprindo as normas de emissões e depois aceitar pagar para comprar emissões, não seria ético.”
Carlos Tavares, CEO da Stellantis

Para ele, “não há alternativa”. Na visão do executivo, a eletrificação é parte do combate ao aquecimento global: “podemos ignorar todas as situações calamitosas (como inundações, furacões, incêndios, etc.) e estar no lado errado ou aceitar e lutar para conseguir cumprir esses objetivos e estar no lado certo da história”, afirmou.

Carregamento e baterias: obstáculos atuais

Ainda que reconheça os entraves que os carros elétricos trazem - como limitações de recarga e o custo e o peso das baterias -, Tavares diz manter uma perspectiva positiva.

Ele aposta que a chegada das baterias de estado sólido, por volta de 2030, deve aliviar boa parte desses pontos, com potencial para reduzir os custos de forma relevante: “Com baterias mais pequenas, os custos poderão finalmente descer para o nível dos carros com motor de combustão. E depois podemos continuar a viver”.

Ao fim e ao cabo, a direção parece definida: “foi o que decidiram os políticos eleitos pelos cidadãos, sendo estas as pessoas que compram e não compram automóveis, mas também respiram o ar de todos”.

Este tema foi apenas um trecho da conversa longa com Carlos Tavares. Leia ou releia na íntegra:


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