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Airbus considera dois modelos de caça no FCAS

Quatro homens discutem projeto de avião militar em hangar com aeronave e maquete na mesa.

Airbus e a hipótese de dois caças no FCAS

A Airbus mantém aberta a possibilidade de o programa multinacional Future Combat Air System (FCAS) resultar em dois modelos diferentes de aeronaves, caso os países participantes escolham seguir por esse caminho.

Segundo Mike Schoellhorn, diretor da Airbus Defence & Space, o formato industrial atualmente estabelecido pode não dar conta de uma mudança desse tipo sem uma “revisão parcial” do programa. A avaliação foi feita em 20 de maio, durante um evento em Manching, nos arredores de Munique.

Requisitos divergentes entre França, Alemanha e Espanha

Desde a criação do FCAS, em 2017, o desenho do projeto se apoia na ideia de um único caça tripulado, o New Generation Fighter (NGF), cuja liderança cabe à Dassault Aviation no caso francês.

Na prática, porém, as exigências dos parceiros têm caminhado em direções diferentes: a França quer uma aeronave com capacidade nuclear e apta a operar a partir de porta-aviões, enquanto Alemanha e Espanha buscam um caça voltado sobretudo para missões de superioridade aérea. Para Schoellhorn, atender a todas essas necessidades em uma única plataforma vem se tornando uma alternativa cada vez menos viável.

Pressupostos do programa após 2022

Guillaume Faury, CEO da Airbus, lembrou que o projeto começou em um contexto de paz, antes da guerra na Ucrânia em 2022, e com base em premissas que hoje já não se sustentam. Na visão dele, isso levou os parceiros a aceitarem concessões para manter os custos sob controle - concessões que, diante do atual cenário geopolítico, deixaram de ser apropriadas. Por esse motivo, ele defende ajustes imediatos no projeto para evitar dificuldades mais adiante.

Impasses industriais e andamento das fases do NGF

Embora a alternativa de dois caças distintos ainda não tenha sido discutida formalmente, a Airbus se posiciona favoravelmente à ideia. Schoellhorn afirmou que, apesar de encarecer o esforço, desenvolver duas aeronaves pode ser menos complexo do que tentar acomodar requisitos incompatíveis em um único caça. Ainda assim, a proposta pode enfrentar resistência da Dassault, considerando os atritos já ocorridos com a Airbus em torno da liderança do NGF.

O executivo também citou obstáculos na cooperação com a Dassault e indicou que, a depender das decisões políticas e industriais ainda em debate, a Airbus pode ter de procurar outros parceiros. No momento, o NGF se encontra na fase 1B, e não há consenso para avançar à fase 2 nem para iniciar a construção de um protótipo em escala real.

Outros pilares do FCAS seguem no cronograma

Enquanto o NGF permanece sem definição para a próxima etapa, outros componentes do FCAS - como a nuvem de combate, caças auxiliares, sensores e o novo motor - continuam progredindo de acordo com o planejado.

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